No início do curso de Farmácia a gente aprende que não deve tomar medicamentos a menos que eles sejam indicados por um profissional de saúde capacitado e que até aquele comprimidinho que todo mundo costuma tomar pra dor de cabeça pode fazer mal. Depois estudamos os mecanismos de ação, efeitos adversos, efeitos paradoxais e aí vemos que esse simples comprimido pode realmente ocasionar doenças muito sérias.
O problema é que se você chega pra alguém que tá tomando um remédio por conta própria e tenta explicar que ele faz mal, você provavelmente vai ser ignorado. As pessoas chegam a ter mania de tomar medicamentos ou recomendá-los. Quem nunca tomou algo recomendando por algum “não médico”? Até quando se vai numa farmácia comprar algo aparecem aqueles balconistas que te recomendam doses menores/maiores que as prescritas, desaconselham o uso do genérico, indicam medicamentos diferentes...
Mas ta aí uma das obrigações dos estudantes de farmácia: Não é porque ainda não nos formamos que não podemos discutir sobre esse uso e recomendações indevidas. Se o médico passou certa dose, não temos que tomar nem mais nem menos, pois só essa diferença de quantidade pode causar desde ausência do efeito a uma intoxicação. E não é porque seu amigo se deu bem com um medicamento que você vai se dar bem também.
O número de casos de intoxicação por medicamentos vem crescendo consideravelmente. E não podemos culpar a população ou a falta de conhecimento, o problema é o sistema de saúde. Realmente ninguém pode ir num médico sempre que tiver uma gripe ou sentir alguma dor, nessas horas todo mundo vai é pra uma farmácia. Por isso há quem diga que o farmacêutico é uma espécie de médico. Eu acho que chega a ser melhor, porque a gente não ganha tanto quanto um médico e ainda assim ajudamos nos momentos de “aperreio”. Tá certo que não podemos prescrever, mas também não podemos deixar que as pessoas tomem qualquer medicamento e coloquem a saúde em risco.
“A diferença entre o remédio e o veneno está na dose!”






































